quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A hora dos “Kadafis”
 
Não se sabe quais serão as conseqüências, se democracia ou outro tipo de opressão após as rebeliões populares no mundo árabe. Mas uma coisa é certa, todos os ditadores vão cair e o fim deles seguirá na medida como lidaram com o povo. Isto deveria abrir os olhos das autoridades corruptas aqui no Brasil, já que a consciência deles está lacrada. O chamado “efeito dominó” pode vir para o lado de cá do Atlântico, fazer o povo sair às ruas e clamar pela renúncia dos ditadores camuflados em políticos, que aumentam de forma absurda os seus salários, promulgam e executam leis em benefício próprio, sem obedecer aos compromissos com o povo.
 
Há três mil anos os judeus, influenciados pelos vizinhos, se rebelaram para, incrivelmente, exigir uma ditadura. “Queremos um rei como acontece em outros países”, insistiram. Havia insatisfação com os atuais governantes, “interessados somente em ganhar dinheiro, aceitavam dinheiro por fora e não decidiam os casos com justiça” (1 Samuel 8.3). Samuel explicou o que aconteceria se o pedido fosse atendido. Suas riquezas, filhos, terras, tudo seria usado para atender aos caprichos do rei. Foi o que aconteceu. O primeiro monarca, Saul, tornou-se um legítimo “Kadafi”. No quarto reinado houve guerra civil  e o reino ficou dividido entre Norte e Sul. A maioria dos reis seguiu o caminho da corrupção e injustiça, e teve um fim trágico.
 
A Bíblia não defende nenhuma forma de governo, se republicana, monárquica ou outro sistema. Mas uma coisa ela diz: “Quando as autoridades cumprem os seus deveres, elas estão a serviço de Deus” (Romanos 13.6). E quais são estes deveres? Está lá no começo: “Sejam honestos; sejam sempre corretos para que vivam” (Deuteronômio 16.20). Infelizmente, qualquer governo em qualquer regime sempre cometerá injustas, porque é humano, é pecador. Por isto o contraste quando a referência é o reinado de Cristo: “As bases do seu governo serão a justiça e o direito desde o começo e para sempre” (Isaías 9.7). Em todo o caso, que os “Kadafis” da vida fiquem atentos, pois a hora deles sempre chega.
 
 

Marcos Schmidt
pastor luterano   
fone 8162-1824
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Auto-ajuda ou Deus ajuda?


Os livros mais famosos são os de auto-ajuda. Mas os que menos ajudam, ou ajudam até ali. “Acredite em suas capacidades, você pode, tudo depende da sua força de vontade”. Isto seria verdade se os desafios fossem apenas a superação de problemas físicos, emocionais, materiais. Sabe-se que a pessoa otimista enfrenta as batalhas da vida com maior sucesso. Exemplos estão aí na biografia de muita gente. Mas a vida humana não se resume só em músculos, cérebro, hormônios, coração.
 
Existe a crença de que a vida é obra do acaso. Que tudo apareceu através de uma explosão cósmica que cabia na palma da mão, e que, em frações de segundos expandiu-se, surgindo tempo, matéria e o Universo com bilhões de galáxias, cada galáxia com bilhões de estrelas. E depois veio a evolução, a vida no planeta Terra e o próprio ser humano. Segundo a ciência, tudo isto um dia vai voltar para o que era antes, isto é, para o nada. Surge, então, uma pergunta que o cachorro nem o macaco fazem: Qual o sentido da minha vida neste infinito e finito Universo?
 
No livro Uma Vida com Propósitos, Rick Warren lembra que “se concentrarmo-nos em nós mesmos, jamais desvendará o propósito de nossa vida”. Confirma isto por aquilo que disse um famoso cientista ateu: “A menos que se admita a existência de Deus, a questão que se refere ao propósito para a vida não tem sentido”. Warren sugere que há propósitos de vida dirigidos por sentimentos de culpa, ou pelo rancor e pela raiva, pelo medo, pelo materialismo, ou pela necessidade de aprovação. Ressalva, no entanto, que fomos feitos por Deus e para Deus – e, enquanto não compreendermos isso, a vida jamais terá sentido.
 
A experiência no aconselhamento tem me mostrado que as pessoas sossegadas, felizes e tranquilas são aquelas que vivem o real sentido da sua existência. Aquelas que receberam ajuda pelo Livro dos livros, onde diz que Deus criou tudo o que se vê e o que não se vê, e que através de Cristo resolveu trazer de volta para si todo o Universo (Colossenses 1.20). Ter esta fé faz a diferença num mundo cada vez mais sem sentido.
 
Marcos Schmidt
pastor luterano  
fone 8162-1824
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sem luz, pânico!
*Márlon Hüther Antunes

O imprevisível foi mais uma vez fato! O apagão no Nordeste trouxe o amargo e suado gosto do que é viver sem luz, sem energia elétrica. As já violentas noites tornaram-se num perigo imensurável a todo tipo violência, roubo e outros males. A simples falta de luz trouxe pânico, como vivenciado por aquelas pessoas que em busca de um atendimento médico, encontraram dificuldades. Estabelecimentos que funcionam 24 horas, por precaução fecharam as portas, a fim de evitar o pior. Um único problema atingiu milhões, fez da última quinta-feira, 03 de fevereiro, uma noite de trevas, prejuízos e sofrimento.
Das Sagradas Letras, que são Lâmpada para os meus pés, e luz para o meu caminho” (Salmo 119.105), aprendemos que na vida não é diferente. Nascemos em completo apagão e trevas, “Nasci em iniqüidade”, declara o salmista (Salmo 51.5). por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”, afirma o Apóstolo Paulo (Romanos 5.12), referindo-se ao pecado. Este sim traz o verdadeiro pânico, as trevas que cegam e nos impedem de ver as maravilhas (Salmo 88.12), a maldade no coração das pessoas, que roubam a paz (Mateus 6.23).
Embora o mundo seja vítima de tantas trevas que escravizam e trazem lágrimas e prejuízos, existe o agente certo. Existe uma luz que resplandece (João 1.5), e nas palavras deste agente certo, há esperança: “eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (João 12.46). Aqui temos a mesma derivação da luz de Cristo na figura da uma lâmpada, que não tem luz própria e necessita de um agente ativo, sem Cristo, de fato, não há verdadeiro brilho, nem luz!
“Ele nos chamou das trevas, para sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2.9). O que aconteceria conosco, se esta luz nos fosse tirada? Certamente muita confusão, pois não saberíamos para onde ir. Desespero, pois todas as esperanças acabariam. Pior, haveria muito medo, já que, caminhando no escuro, não se sabe para onde ir. Graças a Deus que não permite esse tipo de apagão em nossas vidas, seja eterno. Ele está sempre nos acompanhando para que nossas iniciativas jamais sejam “usinas que por um problema se desligam.” Seu amor por nós jamais pode ser desligado!
Entre trevas e luz, há a garantia que nos livra do pânico: “Então a luz da minha salvação brilhará como o sol, e logo vocês todos ficarão curados. O seu Salvador os guiará, e a presença do Senhor os protegerá por todos os lados” (Isaías 58.8). Luz para todos, e melhor de graça!

* É Teólogo e Pastor da Igreja Luterana em Maceió

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Renunciar

É difícil abrir mão do que temos. É complicado renunciar uma postura, uma posição, um hábito.
O presidente da Tunísia (Ben Ali) e o presidente do Egito (Hosni Mubarack) foram convidados a “renunciar” o cargo. Milhares de pessoas gritaram, se organizaram, clamaram pela renúncia.
No entanto, o orgulho também tem um grito potente. É histórica a dificuldade humana de abrir mão do poder. Todos nós: reis ou súditos, patrões ou empregados, pais ou filhos temos dificuldade de renunciar, de admitir erros.
Arrependimento é assunto central na Palavra de Deus. Arrependimento é admitir o erro, renunciar o pecado.
Jesus nos diz assim: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” (Marcos 8.34). Esse texto é desafiador! Ele nos convida a renunciar os nossos próprios interesses.
Na maior parte de nossas leituras o ato de render-se é interpretado como fraqueza, pois nos rendemos diante de algo mais forte. Porém, na Bíblia, a verdadeira força está no ato de render-se diante de Deus. Isso acontece quando nos esvaziamos de nós mesmos e nos enchemos com a graça, nos enchemos com o Espírito de Deus. Somente então somos capazes de perdoar, de renunciar mágoas, de recomeçar.
Deus nos diz: “A minha graça é tudo o que você precisa, pois o meu poder é mais forte quando estás fraco” (2 Coríntios 12.9).
No poder de Deus encontramos a sabedoria para saber quando renunciar e quando não renunciar. Pois, nesse mundo cheio de alegrias passageiras, onde tudo envelhece, enferruja, apodrece, há também valores eternos dos quais não podemos abrir mão – entre eles está a nossa fé em Jesus. Ele nos elegeu ao cargo da vida eterna e nos diz: “Se fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2.10).
Parece que o bom senso e a sabedoria estão entre os milhares que pedem o afastamento dos líderes da Tunísia e do Egito. Mas o mesmo bom senso se une a voz sábia dos apóstolos e profetas solicitando que renunciemos nossos pecados, sem jamais renunciar ao Senhor Jesus e a sua obra; afinal, mesmo sendo difícil, ele renunciou a sua vida, mas não renunciou o caminho da cruz.
Pastor Ismar Pinz
Comunidade Cristo Redentor – Três Vendas – Pelotas, RS

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um dia a casa cai

O edifício de 30 andares que caiu em Belém do Pará é uma viva e decorrente parábola de Jesus (Mateus 7.24-27). Os construtores ouviram, mas não praticaram o que aprenderam na teoria. “Quem ouve esses meus ensinamentos e não vive de acordo com eles”, diz o Senhor,  “é como um homem sem juízo que construiu a sua casa na areia”. Poderíamos também falar das cidades sem esgoto tratado e saneamento básico. Os prefeitos asfaltam, fazem calçadas, monumentos, praças floridas, e os moradores edificam casas bonitas. Mas, por debaixo corre uma sujeira fétida que contamina as águas. Um dia a casa cai, isto é, falta água limpa, os peixes morrem, os animais silvestres desaparecem, a fauna morre, e as pessoas adoecem. Os rios são as coronárias da terra e estamos entupindo-os com gordura. Por isto padecemos na UTI pagando o preço da falta de juízo.
 
Em muitos aspectos vivemos a hipocrisia dos fariseus condenada por Jesus. A religião deles era como “túmulos pintados de branco, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos e de podridão” (Mateus 23.25).  Se na vida espiritual é preciso transformação dentro para fora, alicerce de baixo para cima, algo semelhante e lógico deveria acontecer neste mundo que se vê. Não adianta toda tecnologia se destruímos o coração do planeta. Estamos cavando a própria sepultura, e fatidicamente percebendo que o buraco está quase pronto.
 
Creio que o nosso mundo físico caindo é uma moderna e trágica parábola que nos faz repensar no fundamental, no miolo da vida. “Gememos enquanto vivemos nesta casa de agora” (2 Coríntios 5.2), escreve o apóstolo. Gememos porque o nosso corpo, o meio ambiente, o Universo, têm um tempo de validade que de maneira estúpida está sendo apressado. A fé cristã – que professa um Deus Criador, Redentor e Restaurador de tudo – faz vislumbrar o futuro com esperança quando o “mortal vai desaparecer” (5.4). Mas, enquanto isto é preciso um mínimo de inteligência para que as sinistras parábolas fiquem apenas nas parábolas.
 
Marcos Schmidt
pastor luterano   
fone 8162-1824
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Escândalo, Loucura e Poder

O mundo, cada vez mais dominado por ciência e tecnologia, já não mais sabe em que crer.  Se de um lado, as pessoas querem comprovação científica para todas as questões, por outro os religiosos pedem sinais.

              Enfim, uma realidade muito semelhante à vivenciada pelo apóstolo Paulo na cidade de Corinto.  “Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (1 Co 1.22,23).
             A sabedoria dos gregos tem inspirado pensadores dos tempos modernos. Baruch Spinoza (1637-1677) colocou a Escritura Sagrada numa situação marginal ao preferir a argumentação sólida da ciência.  Para esse pensador “a ciência comprova a Escritura”. Jean-Paul Sartre (1905-1980), não discute o problema da existência ou não de Deus. Para ele, exista ou não Deus, nós estamos abandonados.
            É a sabedoria do mundo que mistura Criador e criatura a ponto de não haver qualquer preocupação de Deus com o indivíduo.
            Há também o desejo dos religiosos por sinais. Uma religião comprovada pelo milagre ou marcada pela emoção não necessita de credo.  Por isso Cristo crucificado é escândalo para os religiosos e loucura para os intelectuais.
           Mas para nós que somos salvos Cristo crucificado é poder e sabedoria de Deus. Ele é anunciado para ser recebido por fé. O mistério de Cristo está fora da comprovação científica, assim como a criação do Universo e a ressurreição dos mortos.
            Escândalo, loucura, Poder! Aí está a sabedoria de Deus em nos salvar!  Sabemos em quem crer: no Cristo crucificado.

Edgar Lemke