quarta-feira, 14 de setembro de 2011

127 Horas decisivas

Esta semana assisti ao filme 127 horas, baseado na história real de Aron Ralston, montanhista americano acostumado a aventuras, que em 2003 saiu sozinho, sem avisar ninguém e foi ao Parque Nacional dos Cânions, no Colorado. Depois de rodar quilômetros de carro, mais alguns de bicicleta, seguiu a pé filmando e registrando tudo. Seu drama começou quando explorava a abertura de uma garganta profunda e uma grande rocha escorregou e prendeu sua mão na estreita fenda. Experiente em escaladas, ele tentou de tudo para se soltar, mas não conseguiu. Depois de três dias, quando água e comida acabaram, agoniando entre vida e morte, decidiu com um canivete cego, cortar o braço que  por 127 horas entre o acidente e socorro lhe manteve refém. "Eu fiz o que tinha que fazer", diria mais tarde.
Fiquei pensando que a atitude deste montanhista não difere muito do comportamento humano: movido pelo orgulho, vaidade e sentimento de onipotência, não me surpreende ouvir de alguém que saiu mundo afora sem nenhum limite. Daqueles que cada vez mais se esquivam de relacionamentos estáveis, não querem compromisso, nem dar satisfação para onde e com quem vão e quando voltam. O sentimento de liberdade e de ser dono do próprio nariz, privam muitos de serem resgatados, quando imprevistos ou algo previsível ocorre. Por falta de informações, por não saber ao certo a localização muitos ficam sem socorro. E quando se dão conta, estão presos nos cânions da vida precisando amputar e deixar para trás partes de si.
             Ralston nunca vai se arrepender de ter arrancado sua própria mão, afinal esta era a única saída que ele tinha, para continuar vivo. “Uma vez por todas” (Romanos 6.10, Hebreus 9.12, 1ª Pedro 3.18) assim afirmam as Sagradas Escrituras que não somos nós, mas que Cristo se “amputou” entregou como preço “para que sejamos de fato livres” (Gálatas 5.1). Eis a escolha decisiva entre vida e morte.
Não sei quantas 127 horas ou seus múltiplos você ainda terá de vida; uma coisa é certa, cada uma conta. Não há necessidade de agonizar sozinho e ficar sem socorro. O sábio Salomão que vivenciou muitas historias concluiu: Descobri que na vida existe mais uma coisa que não vale a pena: é o homem viver sozinho, sem amigos, sem filhos, sem irmãos, sempre trabalhando e nunca satisfeito com a riqueza que tem [...] o moço pobre mais sábio vale mas do que o rei velho e sem juízo que já não aceita conselhos” (Eclesiastes 4.7,8ª e 13).  Mas antes destas verdades, tinha uma maior: lembre de Deus em tudo o que fizer, e ele lhe mostrará o caminho certo” (Eclesiastes 3.6). Que tal confiarmos mais na providencia de Deus do que em nós mesmos? “Hoje é o dia de ser salvo” (2ª Coríntios 6.2).
 
*Márlon Hüther Antunes
*É Teólogo e Pastor da Igreja Luterana em Maceió