quinta-feira, 28 de abril de 2011

O casamento, o passarinho e o churrasco

A mídia centraliza o casamento real do príncipe William e da plebéia Kate. No entanto, há outro casal extremamente nobre que pode ser observado em diferentes locais. Refiro-me a um casal de passarinhos. João e a Joana de Barro.
Conta-se que este animal se acasala com uma só fêmea. Constrói sua casinha com todo o cuidado e esforço, levando em conta o local e a direção do vento dominante. Na exclusividade do relacionamento do João de Barro temos um grande aprendizado. Aprendemos que a grande arte do homem não é conquistar todos dias uma nova mulher, mas sim conquistar a mesma mulher todos os dias.
Conta-se que um menino capturou um João de barro com um alçapão (arapuca). Colocou-o em um viveiro. O Passarinho logo começou a debater-se na tela procurando voltar para o ninho. A fêmea logo apareceu e também voava contra grade para aproximar-se do seu amor. No outro dia os dois passarinhos estavam mortos, um de cada lado da tela. Morreram tentando aproximar-se um do outro.
Deixando o lado mórbido de lado, aprendemos sobre o aproximar-se, sobre o “procurar” e sobre o encontrar-se no outro. Relacionamentos são destruídos quando cada um procura os seus interesses.
Foi Deus quem instituiu o casamento. Certamente nele está uma escola de ternura, um convívio para alegria. Pois tudo o que Deus faz é bom!
Conta-se que um nordestino foi experimentar o famoso churrasco gaúcho. Porém os assadores se esqueceram de salgar a carne. O nordestino experimentou e achou terrível! Voltou para sua terra afirmando que o churrasco gaúcho não presta!
O churrasco levou a culpa, os assadores sairam ilesos. Enganamo-nos quando desprezamos o casamento, quando o julgamos e condenamos a partir de pessoas que desprezam o tempero do verdadeiro amor. O Amor procura, compreende, defende, exorta, consola e serve de suporte e constante fundamento.
Jesus é a revelação perfeita do amor. Na Bíblia, Cristo é descrito como o Noivo da sua amada Igreja. Pela sua noiva, Jesus deu sua vida! Fez isso para derrubar a grade do egoísmo e revelar o tempero que deixa toda refeição saborosa. Que esse tempero acompanhe o famoso casal britânico e todos os anônimos decidem sempre voar em direção ao seu cônjuge.

Pastor Ismar L. Pinz
27/04/2011
Comunidade Luterana Cristo Redentor, Pelotas, RS

terça-feira, 12 de abril de 2011

Justiça com as próprias armas
*Marlon Hüther Antunes

         As histórias dos dois assassinos que deixaram nosso país perplexo, nos últimos dias apontam para uma sociedade cada vez mais intolerante e desejosa de vingança. Um se diz rejeitado pela adolescente 12 anos mais nova que ele e que num ímpeto de agir em justiça própria, a mata junto com a irmã. A outra história, mais cruel pelo número de vítimas, moveu outro jovem cheio de rancor, amargura, transtorno e sede de “justiça”, sair atirando em desconhecidos. Ações planejadas como estas, ou no calor do momento, têm sido rotina em lares, no trânsito e escolas – quando muitos saem disparando contra tudo e contra todos do fel de seus corações em causa própria, comprovando as palavras do Senhor: “por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mateus 24.12).
         Rancor e falta de perdão debilitam qualquer ser humano, transformando-o num animal irracional, enterrando valores morais e éticos aprendidos e demonstrando a frieza espiritual que se abate. Ninguém ousa recuar. Andamos armados, sempre na ofensiva de quem nos contrarie, ou de alguém que tenha uma atitude que não condiz com nossa vontade. Desaprendemos a respeitar o próximo, não concordando com ele. Sim, estes já são os tempos difíceis anunciado pelo Apóstolo Paulo, de homens egoístas, avarentos, orgulhosos, vaidosos, xingadores, ingratos, desobedientes aos seus pais e sem respeito pela religião. Sem amor pelos outros, duros, caluniadores, incapazes de se controlarem, violentos e inimigos do bem. Traidores, atrevidos e cheios de orgulho. Amando mais os prazeres do que a Deus (2Timóteo 3.2-4).
Pensar duas vezes, agir com prudência, arrepender-se é coisa de fracassado. O que está na moda é o “vou sim, quero sim, posso sim... ninguém manda em mim”. Precisamos que Deus nos mande ao encontro alguém, que acalme esta frenética fúria por vingança, para mais tarde, de cabeça fria, reconheça-se com gratidão: Bendita seja a tua prudência, e bendita sejas tu mesma, que hoje me tolheste de derramar sangue e de que por minha própria mão me vingasse (1 Samuel 25.33).
No calor da discussão, o Apóstolo Pedro ao ver Jesus ser preso, partiu para cima, no intuito de fazer justiça com a própria espada. Ouviu do Senhor: “guarde sua espada, pois quem usa uma espada será morto por uma espada” (Mateus 26.50).
Não nos cabe dar fim aos “impuros”, aos que nos rejeitam, julgando por causa própria. Deus fez justiça furando as próprias mãos, não para si ou para puros, mas para aqueles que sabem que são doentes, precisam de médicos, tratamento, perdão e acolhimento (Marcos 2.17). Só Ele que é Água da vida (Apocalipse 22.17), pode apagar os braseiros da ira e acalmar este fogo que se abate sobre toda a terra. Eu preciso desta justiça, sem dúvidas, você também!

*É Teólogo e Pastor da Igreja Luterana em Maceió

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Morrer é Lucro ou Prejuízo?

Muitas pessoas lutam contra a morte e se esquecem de lutar pela vida.  Sim, pois alguns querem viver, simplesmente por ter medo de morrer.
O apóstolo Paulo diz: “Para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. (Fp 1.21).
Já se passaram alguns dias da morte de José Alencar. Mas permaneceu como exemplo a maneira como o ex-vice-presidente lutou para viver, sem ter medo de morrer.
Há casos em que o desejo de viver é meramente egoísta. Mas há também exemplos em que o desejo de morrer é mera covardia. Por isso o exemplo do José Alencar comoveu. Afirmava que queria viver para servir, para trabalhar, para ajudar – mas estava sereno para morrer.
Conheço muitas outras pessoas que serviram de exemplo nesse sentido – talvez até mais apropriados que o ex-presidente. Porém são anônimos.
A verdade é que a morte procura e encontra. Encontra a todos! Famosos ou comuns. Pois a morte é a maldição sobre o pecado (Rm 6.23). E o pecado, definitivamente está sobre todos.
Cantamos e enfatizamos que “é preciso saber viver” – mas é bem verdade que também é preciso saber morrer. Jesus veio ao mundo para viver e morrer por nós. Vivendo ele amou, serviu, curou, perdoou, resgatou. Morrendo ele pagou pelos pecados e ressuscitando venceu a morte. Na ressurreição ele nos comissiona a uma vida honrada, a uma vida de serviço.
Em Cristo já não há razão para temer a morte. Porém sempre há razões para enfrentar a vida! Por mais pesada e doida que sejam as catástrofes, as doenças e as aflições. Pois sempre haverá ao nosso redor alguém precisando de ajuda e um sorriso de gratidão quando ajudado.
Não há dúvida: o viver tem sentido absoluto em Cristo, o Deus que se fez homem para servir. Cabe bem o ditado: “quem não vive para servir não serve para viver”. Peço licença para acrescentar: “quem não vive para servir, não serve para viver e encontrariam ‘prejuízo’ no morrer”. Isso porque sem Jesus, fatalmente serão condenados. Mas em Jesus, até mesmo a morte é lucro. Foi Ele quem disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. (Jo 11.25)”.

Pastor Ismar L. Pinz
Comunidade Luterana Cristo Redentor
Pelotas, RS