terça-feira, 28 de setembro de 2010

A festa da democracia

*Márlon Hüther Antunes

         Na reta final nesta semana de eleições, muitos devem estar se perguntando: quem fará nosso país melhor? É a festa da democracia! Pode parecer estranho, mas a dona da festa será responsável: A Democracia (do grego: demos – povo; kratos – autoridade), coloca cada um dos eleitores como co-responsáveis. É o mesmo que dizer que cada cidadão é um político, mas por uma questão de ordem, cede seus “poderes” para um procurador comum.
         Assim, a festa da democracia faz uso da política, que não acontece apenas a cada 2 ou 4 anos. Ela rege nossas vidas diariamente (política, do grego: politeia – cidadania, relativo a polis, cidade), pois onde há necessidade de se tomar qualquer tipo de decisão, ali ela acontece. Isso faz de cada pessoa um político, na convivência em família – relação marido esposa, pais e filhos; no relacionamento com os vizinhos; na relação patrão e empregado; na escola, na rua, no shopping, na igreja. Direitos e deveres bem claros denotam bons políticos, denotam bons representantes, denotam paz social.
         Mas se partimos do senso comum de que todo político é corrupto ou ladrão, isso aponta para uma inversão de valores, afinal de nós decorre o direito de estarem lá, não como manipuladores do sistema, mas servidores. Engatinhamos neste quesito, pois nos faltam compreensão e objetivos. No papel de cidadão que recebeu autoridade, ofício ou delegação de poder, os interesses devem sempre estar voltados às necessidades daqueles que o colocaram como representantes, nunca pessoal, o dever é zelar para o bem comum. Por este motivo, deveríamos levar muito mais a sério este processo, jamais deveríamos ser coagidos, forçados, roubados deste direito. Jesus responsável pelo maior ofício fez uso correto de seus atributos como representante e substituto: “Porque até o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para salvar muita gente” (Marcos 10.45).
Ter ou votar e eleger quem julgamos melhor nos representar, não nos isenta de nossas responsabilidades como cidadãos, bons exemplos continuam norteando a base da sociedade, daqueles que estão sob o mesmo teto! Ali se formam as bases sólidas para um país melhor! Ali na prática se ensina valores de direito e deveres, se vive a ética, a fé, o amor, o perdão e se luta contra todo tipo de maus desejos que brotam no coração e destroem toda uma sociedade. Ali se respeita a autoridade que deve trabalhar em comum acordo, ama-se os idosos, educa-se e ampara-se os filhos, todos deveriam se dar as mãos (primeiro para orar!).
A festa da democracia é coisa séria, participe, viva e a acompanhe sempre!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A POLÍTICA nossa de cada dia

Fui mais um a pensar que, estando próximo de mais uma eleição, seria conveniente escrever sobre política. Porém reconheço que há nessa decisão uma contradição, afinal, diariamente fazemos política.
Ao ultrapassar um sinal vermelho, estou fazendo uma péssima decisão política. Se ouço música num volume excessivo e perturbo vizinhos, estou elegendo mal a intensidade do som. Se como aluno pertencente a uma turma escolar desrespeito a autoridade do professor ou tenho ações que perturbam outros colegas é porque ainda não aprendi a arte de fazer boas escolhas sociais. Se me beneficio de um programa social sendo alguém com condições materiais, estou tomando uma péssima decisão. Se uso a máquina administrativa para enaltecer o meu nome, opto por algo egoísta; se critico o governo apenas em critérios destrutivos com interesses partidários, estou errando o alvo, optando pela politicagem e não pela harmonia da vida social (verdadeira política).
O apóstolo Paulo orienta os cristãos: “Vivam de acordo com o evangelho de Cristo” (Filipenses 1.27). “Vivam” é “politeuste” no grego, palavra que aponta para a cidadania responsável. É óbvio que essa cidadania se manifesta no voto, mas, sobretudo, no dia-a-dia!
De nada adianta bradar contra as corrupções dos líderes lá de cima, se aqui embaixo queremos sempre levar vantagem em tudo. Aqui entra um grande dilema, onde não se sabe se os roubinhos ocorridos entre o povo é reflexo da roubalheira dos altos cargos governamentais ou vice-versa. Muitos criticam avidamente aqueles que aceitam suborno, mas prontamente vendem seu voto.
Diante da evidente dificuldade em escolher pessoas diferenciadas e honestas, que cada decisão política venha antecedida e acompanhada por orações, para que Deus em sua infinita sabedoria direcione as coisas em meio a tanta confusão, para sermos como Jesus pediu: “sal e luz do mundo”.
Ser sal e luz não se faz na omissão, apenas damos gosto e iluminamos quando participamos ativamente dos processos, com coragem, honestidade e altruísmo.
Ao orarmos: “o pão nosso de cada dia nos dá hoje”; lembremos que estamos pedindo pela boa política, estamos orando por emprego, desenvolvimento, boa administração, boa convivência, estamos orando para que todos possam viver coerentemente a “política nossa de cada dia”.
Preciso escolher certo no dia 03 de outubro, mas sem deixar de realizar boas escolhas nos outros dias do ano.
 Pastor Ismar Lambrecht Pinz
Comunidade Cristo Redentor – Três Vendas – Pelotas, RS.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Valor de uma vida

*Márlon Hüther Antunes

         Nesta época de campanha eleitoral em esfera nacional e estadual, um dos grandes assuntos em pauta é a questão da saúde, direito de todos e dever do Estado, segundo o artigo 196 da Constituição, defendida pelos candidatos como prioridade e necessidade urgente de melhorias. E realmente é preciso! Mas parece que este discurso só é levantado a cada 2 ou 4 anos. O valor da vida e o direito são esquecidos e afogados na burocracia da máquina administrativa. É o caso do adolescente carioca Fabio de Souza Nascimento, que morreu depois de 8 meses de espera por um equipamento médico que custa 520 reais mensais, não foi atendido nem em esfera municipal, estadual ou nacional, porque um atribuiu a responsabilidade ao outro, mesmo com uma ordem judicial para que recebesse o equipamento através do SUS, teve roubado seu sonho de viver.
         Quanto vale uma vida? Neste caso praticamente um salário mínimo. Chocamos-nos quando ouvimos que pessoas morrem por mil reais de dívidas, ou acertos de contas com cifras bem maiores. E diante de um fato deste, pouco se sabe ou se faz, pois quantos “Fabinhos” diariamente morrem por falta de seus direitos atendidos em filas de atendimento? Num país onde 75% da população não tem plano de saúde – outro absurdo, pois paga-se duas vezes por um serviço que nem sempre garante qualidade -  em Alagoas este número é ainda maior, como fazer valer estes direitos? Omitindo-se? Levando o caso para justiça e acumulando mais prejuízos deficitando ainda outro sistema lento?
         Como garantir um bom um sistema de saúde que de fato priorize o valor da vida, sem atacar mais uma vez o bolso do contribuinte? Estará em quem escolhermos para dar valor as nossas vidas, em quem elegermos como nossos representantes.
         Enquanto muitos fazem da máquina pública um trampolim para vantagens próprias, longe da realidade geral, se esquecendo dos direitos de quem representam, temos o exemplo daquele que intercede por nós, sabe quanto custa uma vida, viveu como uma pessoa comum, não pensou apenas nos seus: “Porque até o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para salvar muita gente” (Mateus 20.28). Como seria bom se as pessoas fossem vistas, não como meros números, mas conhecidas por seus nomes e necessidades do dia a dia; valorizadas não pelo que tem, mas pelo que são! Os exemplos estão ai, escolha, eleja e confie no seu representante de maneira bem consciente! Comece hoje.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O bom e velho casamento

“Casar faz bem. O casamento hoje dá mais trabalho, mas traz mais satisfação”. Com esta capa, a última Veja de agosto fez uma matéria que aproveitei num retiro de casais, quando sublinhei a última frase: “Não há melhor antídoto para as agruras da vida moderna, enfim, do que o bom e velho casamento – mas que seja bom, acima de tudo”. É sempre assim, a gente precisa perder para dar valor. Está lá no bom e velho Testamento: “Não é bom que o homem viva sozinho. Vou fazer para ele alguém que o ajude como se fosse a sua outra metade”. Ou, em outra versão: “Far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea”. Alguns usam isto para dizer que a mulher precisa ser submissa ao homem. Se isto é verdade, Deus também precisa ser. Das 20 vezes que “auxiliador” (ézer no hebraico) aparece no Antigo Testamento, 17 se referem a Deus. Idônea, ou “como se fosse a outra metade”, mostra que o Criador coloca alguém ao lado do homem, e vice-versa, para que a submissão no auxílio seja recíproca (Efésios 5.21).
 
É claro, tem a história do pecado. E daí, o machismo e o feminismo. Mas que tem remédio: “Porque vocês foram batizados para ficarem unidos com Cristo e assim se revestiram com as qualidades do próprio Cristo. Deste modo não existe diferença (...) entre homens e mulheres” (Gálatas 3.26-28); “No entanto, por estarmos unidos no Senhor, nem a mulher é independente do homem, nem o homem é independente da mulher. Porque assim como a mulher foi feita do homem, assim também o homem nasce da mulher. E tudo vem de Deus" (1 Coríntios 11.11,12).
 
Há 28 anos lido com o aconselhamento matrimonial, e há dezoito, com o próprio matrimônio. Aprendi que as crises e as soluções são todas iguais. E se o casamento conserva a sua força e modernidade no “mundo civilizado”, quando ninguém é mais obrigado a viver de aparência (Veja), então, é a oportunidade para lembrar o velho tripé desta invenção divina: “É por isso que o homem DEIXA o seu pai e a sua mãe para SE UNIR com a sua mulher e os dois SE TORNAM uma só carne” (Gênesis 2.24). Dá trabalho, mas traz satisfação.
 
 
Marcos Schmidt
pastor luterano  
fone 8162-1824
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS
16 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

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A sua condição econômica tem melhorado? Você conseguiu aumentar seus bens materiais? Então você tem motivos para se alegrar, não é mesmo? Quem sabe seja prudente ouvirmos o conselho do grande “empresário” Davi que afirma na Bíblia: “ainda que as suas riquezas aumentem, não confie nelas” (Salmo 62.10). Neste período de crescimento econômico é bom pensarmos sobre isso, pois a realidade pode mudar e uma crise pode nos pegar de repente. Mas quando a nossa confiança está depositada no Salvador Jesus Cristo temos a segurança necessária para enfrentar qualquer período de turbulência e desfrutar com sabedoria as maravilhas que ele nos concede diariamente.

Oremos: Amado salvador Jesus, agradeço pelas bênçãos que tens me dado. Ajuda-me para que eu possa confiar sempre em ti e desfrutar das conquistas que me dás diariamente. Por Jesus Cristo. Amém.
(extraída do Mensagem de Esperança, enviado por Hora Luterana (www.horaluterana.org.br)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Operação resgate
*Marlon Hüther Antunes

         Os 33 operários de uma mina de ouro e cobre no Chile, desde o dia 5 de Agosto vivem um drama a quase 700 metros da superfície. Depois de um colapso na mina ficaram impedidos de voltar para casa. Certamente o medo e a insegurança sobre o futuro fizeram parte dos sentimentos de cada um. Porém, não perderam as esperanças, fato é que racionaram comida por dias, até que por fim, um novo horizonte se abriu sob o breu, umidade e calor naquele pequeno refúgio, que veio a ser uma grande fortaleza. “O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz” (Isaías 9.2 ). Literalmente uma luz no fim do túnel onde se encontram. Um buraco de poucos centímetros perfurado é de onde, brota a grande esperança de viver e vem todo auxílio e ajuda devida para o momento: alimentação, água, medicamentos, ar fresco, comunicação e palavras de ânimo.
         Sob orientação de cima, os mineiros foram orientados a se organizar, dividir tarefas, delimitar horários de repouso e manter a calma, enquanto não se concretiza o resgate. Há uma semana eles ficaram sabendo que terão que esperar pacientemente e unidos por semanas, meses. Enquanto não chega terão que seguir os conselhos do Profeta Jeremias: “Bom é aguardar a salvação do Senhor” (Lamentações 3.26). Jeremias escrevera à cidade de Jerusalém após outro colapso: a conquista e destruição da cidade pelos Babilônicos em 586 a.C. Embora a situação fosse preocupante, havia expressões de confiança e esperança no futuro nas palavras deste que falava aos seus.
         Resta a estes homens manterem a calma, união, confiar e esperar. Cartas e palavras de ânimo diariamente são enviadas pelos familiares, para que não percam as esperanças. A expectativa é que possam celebrar o natal com amigos e familiares, uma celebração dupla, afinal no natal foi a concretização do plano de Deus para salvar toda a humanidade do maior colapso de todos. O povo de Deus em todo o tempo de espera pelo Messias foi animado, orientado a manter-se unido e confiante pelo resgate que viria de cima, sem poder fazer nada a não ser esperar e confiar, e, finalmente naquele primeiro natal celebrar a vida.
         O Apóstolo Paulo mais tarde lembraria o povo de Éfeso (e a cada um de nós) sobre esta verdade: “A mesma coisa aconteceu também com vocês. Quando ouviram a verdadeira mensagem, a boa notícia que trouxe para vocês a salvação, vocês creram em Cristo. E Deus pôs em vocês a sua marca de proprietário quando lhes deu o Espírito Santo, que ele havia prometido” (Efésios 1.14).
         Enquanto aguardamos o resgate final, Deus mantém seu canal de comunicação, ânimo e suprimento todos os dias na maior de todas as operações regaste. Semelhanças ou coincidência parece que assim como os mineiros, precisamos nos animar e confiar; crer e esperar.

*É Teólogo e Pastor da Igreja Luterana em Maceió

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

GPS do céu

Uma pesquisa na Inglaterra confirma o que já sei por mim: os homens dirigem cerca de 440 km a mais por ano que as mulheres porque não pedem informações. A pesquisa foi realizada com mil motoristas, e mostrou que 74% das mulheres param a fim de pedir informações, enquanto que 37% dos homens não. Preciso admitir que sou um desses que não se dobra quando está perdido. A minha mulher fica braba comigo. Só depois de alguns litros de combustível em vão é que obedeço aos insistentes pedidos dela.
 
Por que a gente é assim, tão teimoso? Acho que é por isso que tem mais mulher na igreja do que homem. Igreja é lugar onde a gente estaciona e pede ajuda. Para fazer isto,  é preciso reconhecer que se meteu em lugar desconhecido, e sozinho não vai encontrar o caminho certo. Este foi o problema do rei Davi. Só depois de gastar todo o tanque, confessou: “Ó Senhor, eu já não sou orgulhoso (...) Não vou mais atrás de coisas grandes e extraordinárias, que estão fora do meu alcance” (Salmo 131).  A triste história deste motorista na Bíblia nos serve de lição (2 Samuel 11 e 12). Por isso também as suas palavras no Salmo 32 (8,9): “O Senhor Deus me disse: Eu lhe ensinarei o caminho por onde você deve ir; eu vou guiá-lo e orientá-lo. Não seja uma pessoa sem juízo como o cavalo ou a mula, que precisam ser guiados com cabresto e rédeas para que obedeçam”.
 
Jesus insistiu muito com os arrogantes fariseus para que estacionassem o carro e pedissem orientação. A palavra “fariseu” vem do hebraico e significa “santo”, alguém separado dos outros. Eles se achavam os tais. Um dia Jesus lhes disse: “Ai de vocês, mestres da Lei! Pois guardam a chave que abre a porta da casa da Sabedoria. E nem vocês mesmos entram, nem deixam os outros entrarem” (Lucas 11.52). Hoje Jesus diria: Vocês têm a chave do carro, mas nem vocês nem os caroneiros chegam ao destino certo.
 
Tomé era homem e cabeça-dura, mesmo assim humilhou-se e perguntou: Como podemos saber o caminho? Jesus respondeu prontamente: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim” (João 14.6). E ele atendeu a sugestão!
 

Marcos Schmidt
pastor luterano  
fone 8162-1824
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS
2 de setembro de 2010