quarta-feira, 23 de março de 2011

Mundo que somos

Vivemos dias de muita “informação” e pouca “formação”. Dias em que falamos muito do mundo que “estamos” e pouco do mundo que “somos”.
Falamos nos conflitos da Libia, no terremoto no Japão, na enxurrada em São Lourenço e ainda contemplamos a visita do presidente dos EUA ao Brasil. Tudo isso é bom, no entanto não podemos deixar de olhar para nós mesmos e reconhecermos os conflitos internos.
É importante pensar e se organizar no enfrentamento dos desastres naturais; mas não podemos deixar de fortalecer nosso ser para os abalos das placas lá dentro dos nossos corações. É fundamental que países e líderes nacionais se visitem e mantenham bom relacionamento; mas antes de tudo precisamos observar e refletir sobre nossos relacionamentos diários.
Surpreendemo-nos com esquemas de corrupção como os revelados recentemente no caso do uso de controladores de velocidade no trânsito; mas não nos damos conta que pessoalmente arranjamos esquemas para nos dar bem, aceitamos vantagens aqui e acolá e nos fazemos igualmente corruptos.
Jesus disse: “De que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a própria alma?” (Mt 16.26).  Parafraseando em outros aspectos diríamos: De que adianta conhecer o mundo, estar bem informado e localizado, no entanto viver perdido internamente.
Toda suficiência para transformações internas vem de Deus (2 Co 3.5). O Espírito Santo que sopra através do Evangelho nos habilita a nos reencontrarmos, a recomeçarmos e nos fortalecermos diante de um mundo tão diversificado que estamos e que somos.
Não há dúvida – vivemos num mundo corrupto e que está se decompondo pela maldade. Mas, precisamos assumir que essa mesma maldade também está em nós.
O surpreendente e animador é que Deus, nosso Criador, é tão bom e amável, que nos aceita e que dedicadamente se propõe a nos transformar.
Isso acontece em Cristo e mediante a fé. Em Jesus está a verdadeira Paz. Que Deus nos abençoe e nos conduza por caminhos de fé, de esperança e de amor. Que a paz de Deus que ultrapassa todos os desastres, preserve nosso coração em Cristo, hoje e sempre.

Pastor Ismar Pinz

Poder e proteção

A visita presidencial dos Estados Unidos deu amostras sobre a pesada carga que uma nação suporta para manter-se no topo. Um peso não apenas escondido na fuselagem dos sofisticados aviões, mas, sobretudo, nos miolos destes líderes que carregam vital responsabilidade nos destinos do planeta. Obama comanda a nação que comanda o mundo, e por isto, é a pessoa mais invejada e odiada. Não é por nada todo o aparato de segurança, algo que impressiona e agride. Em todo caso, melhor um Obama do que um Bush. Afinal, ele tem o botão de 4 mil bombas atômicas e guarnece a eficiência de 104 usinas nucleares. Devemos agradecer ao Senhor dos senhor pelo fato da maior potência bélica e econômica ser democrática e dirigida por um homem sensato. Imaginem se fosse um Kadafi?
 
Em seu discurso, Obama elogiou o Brasil, e disse queeste não é mais o país do futuro – os brasileiros devem saber que o futuro já chegou e está aqui agora. É hora de tomar posse dele”. “Tomar posse” requer igualmente responsabilidade e equilíbrio. Se hoje somos uma das nações mais ricas do mundo, e pretendemos um assento no Conselho de Segurança da ONU, então devemos estar preparados para suportar esta glória.
 
O soberano rei Davi reconheceu que cada ser humano é um “Obama” e merece respeito e proteção. “Que é um ser humano para que penses nele?” – refletiu o chefe do emergente Israel. “No entanto, fizeste-o inferior somente a ti mesmo e lhe deste a glória e a honra de um rei. Tu puseste todas as coisas debaixo do domínio dele” (Salmo 8). Neste raciocínio, Davi afirma que “a pessoa que procura segurança no Deus Altíssimo” (Salmo 91) obterá um eficiente aparato de proteção contra os inimigos.
 
Neste período antes da Páscoa, os cristãos lembram que o próprio rei se tornou um agente de segurança, e ofereceu a vida para salvar a humanidade. Num discurso, o Rei Jesus disse que o futuro já tinha chegado: “Vocês são bem-aventurados,  pois o Reino dos Céus é de vocês. Vocês são a luz do mundo” (Mateus 5). Sem dúvida, um bônus e um ônus nesta sociedade armada com bombas nucleares em cada coração humano. 

 
 
Marcos Schmidt
pastor luterano   
fone 8162-1824
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS

quinta-feira, 17 de março de 2011

Prevenido para as tragédias da vida

Os tristes fatos do Japão que estão diante de nossos olhos, mostrados nos últimos dias deixam qualquer um perplexo, pela fúria e a violência que a natureza é capaz. Diante da tragédia que trouxe prejuízos e histórias levadas em decorrência do pior terremoto registrado naquele país, seguido de um tsunami , é certo que na “queda de braço”, não há como domar o inimigo natural, que de tempos em tempos assombra aquela nação. Apesar da magnitude dos tremores e das ondas gigantes, fato é que - comparadas as proporções - apesar de uma magnitude 20 vezes maior que o tremor do Haiti, as medidas preventivas japonesas amenizaram e muito a tragédia.
Prevenção e planejamento trouxeram, por maiores que sejam os números atuais, um alívio para perdas irreparáveis: Vidas foram salvas e ressurgem em meio aos escombros! Os japoneses são extremamente organizados em investir na infraestrutura, educação e na maneira de agir em momentos trágicos. As lições de cada desastre anterior servem como aprendizado para o que está por vir.
Na vida não é diferente! Prevenir-se não significa estar isento de tragédias, mas organizar-se, a fim de amenizar suas consequencias. A Igreja Cristã em todo o mundo está vivendo o tempo de Quaresma, um tempo de preparo, de olhar para si, olhar para o passado, mas especialmente olhar para o futuro, neste tempo que culmina na Páscoa, onde a maior tragédia humana – a morte - é dada por vencida, nas palavras do Salvador: “Está consumado” (João 19.30).
O trágico de não preparar-se para o inevitável e encontrar dificuldades em reerguer-se. As comparações entre os terremotos e as chances do Haiti e Japão mostram isto de forma clara: quem está preparado da maneira certa, por maior que sejam os escombros, pronto está para ressurgir. Isso pode ser comparado à fé cristã que diante da realidade da morte e traz a oportunidade da ressurreição. Não é a toa que o salmista cheio de fé confessa: "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam" (Salmo 46.1-3). “Porque eu vivo, vós também vivereis” (João 14.19). É a certeza da vida que ressurge através dos escombros. Preparar-se para este possível drama é decisivo para amenizar a dor, tanto de quem vai, como de quem fica. Diante da morte, só existem dois caminhos para enfrentá-la: com Cristo, ou sem Ele. Bom é estar prevenido!
*Márlon Hüther Antunes
*É Teólogo e Pastor da Igreja Luterana de Maceió

quarta-feira, 16 de março de 2011

Ondas de imagens

Se uma imagem vale por mil palavras, então qualquer coisa que a gente escreve sobre esta tragédia nipônica corre o risco de sucumbir. Sempre carregando as sofisticadas câmeras, os japoneses estão revelando ao mundo cenas impressionantes. O sentimento global é de perplexidade. Será o cumprimento da profecia de Jesus? Que “todas as nações ficarão desesperadas, com medo do terrível barulho do mar e das ondas” (Lucas 21.25)? Porque “todas as nações”? Qual a razão dos moradores que vivem nos lugares mais altos, ou no outro lado do planeta, estarem apavorados? Creio que a resposta está nesta grandiosa onda que invade o mundo  – as chocantes imagens vindas do país da Kodak, da Sony, da Panasonic, da Nikon...
 
Tsunamis são antigos. Há três mil anos o rei Davi já dizia: “Assim, quando as grandes ondas de sofrimento vierem, não chegarão até eles” (Salmo 32.6). Davi comparou este desastre natural com a desolação espiritual que invade a vida daqueles que não têm um “esconderijo que livra da aflição” (v.7). Ele viveu às margens do Mar Mediterrâneo, e deve ter presenciado ou sabia algo a respeito. Segundo registros arqueológicos, foi neste período bíblico que ocorreu um dos maiores maremotos que aniquilou a ilha de Creta, próximo às terras litorâneas de Israel.
 
O fato novo, por isto, são as impactantes imagens que transportam a humanidade para o Japão, e faz com que “todas as nações estejam desesperadas, com medo do terrível barulho do mar e das ondas”. No entanto, se a imagem tem poder, vem à lembrança a foto daquela criança de quatro meses, encontrada viva entre os escombros do tsunami, e que se tornou símbolo de esperança no Japão. Algo que remete à imagem da criancinha enrolada em panos e deitada numa manjedoura. “Não tenham medo”, disse o anjo aos pastores de Belém, porque este menino vai salvar vocês. Já crescido, ele acalmou o mar, e todos ficaram admirados: “Que homem é este que manda até no vento e nas ondas?” (Mateus 8.27). É dele que Davi se refere ao confessar “Tu és o meu refúgio” quando surgem as grandes ondas.
 
 
 
Marcos Schmidt
pastor luterano   
fone 8162-1824
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS

quarta-feira, 9 de março de 2011

Santo Cristo e o Carnaval

A fuga da realidade segue por outros aspectos da vida humana, não só no profano, também no religioso. Se o reinado do momo é a festa da carne, tem a festa do espírito que procura em vão a mesma coisa: anular a dureza das desventuras terrenas. Em vão, porque usa um “santo Daime” – chá com poderes alucinógenos – oferecido num cenário fantasiado com promessas que entorpecem a mente e o coração. Este “carnaval” tem nome e endereço, um espetáculo da glória que esconde a cruz nos bastidores e mantém o sofrimento humano fora das passarelas. Doenças, pobreza, miséria, dor? Isto foi anulado em nome de Jesus – pregam eles. Puro analgésico que mascara a real enfermidade.
 
Entre fantasias e adereços, neste Domingo do Carnaval os cristãos celebraram a Transfiguração do Senhor (Mateus 17). Num retiro, três discípulos puderam ver o trailer da glória celestial onde uma luz intensa resplandeceu do corpo de Jesus. Não eram efeitos especiais. Era a realidade do esplendor celestial. Deslumbrado, Pedro quis armar barracas e ficar ali mesmo. Esqueceu que precisava descer do monte, pegar a sua cruz e voltar para o vale da sombra e da morte.
 
É preciso descer e ter os pés no chão. Como? Para os enlutados das 27 vítimas de Santo Cristo, só mesmo Cristo, o Santo. Até o Carnaval foi suspenso nesta cidade, pois a morte não usa máscaras. Restou apenas a quarta-feira de cinzas. Mas o que este Cristo pode fazer? Pedro, em outro episódio, depois que muitos seguidores abandonaram Jesus porque os milagres haviam cessado e restava apenas a cruz – foi enfático: “Quem é que nós vamos seguir? O senhor tem as palavras que dão a vida eterna! E nós cremos e sabemos que o senhor é o Santo que Deus enviou” (João 6.68,69).
 
Na marchinha de Carnaval “Pastorinhas”, Noel Rosa cantava que “a estrela d'alva no céu desponta”, para depois lamentar “meu coração não se cansa de sempre, sempre te amar”. Triste canção de um amor não correspondido num mundo cheio de desilusões. Por isto o hino do amor que sempre correponde e não ilude, amor daquele que disse: “Eu sou a brilhante estrela d'alva” (Apocalipse 22.16).
 
 
 
Marcos Schmidt
pastor luterano   
fone 8162-1824
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS

quarta-feira, 2 de março de 2011

Autocontrole no trânsito

As chocantes imagens do atropelamento coletivo de ciclistas em Porto Alegre servem de exemplo para motoristas, ciclistas, motoqueiros, pedestres. Questionado sobre o que faria se pudesse voltar no tempo, o atropelador respondeu que teria ficado em casa naquele dia. Mas não adianta fugir das ruas quando em casa está a família. Até porque não é preciso um volante para atropelar. Bastam palavras e gestos de um coração dominado pelo impulso da raiva. 
 
Pesquisas revelam que este motorista agressivo não está sozinho. Boa parte dos brasileiros transforma-se em predador assim que agarra o volante. Uma psicóloga brasileira entrevistou 900 motoristas, e descobriu que 84% deles sentem ira enquanto dirigem. "O carro dá poder e permite o extravasamento de emoções, inclusive da raiva que se traz de casa ou do trabalho", diz um psiquiatra especialista em tráfego. Problema que, segundo ele, se agrava quando juntam três situações: o carro servindo de objeto de poder, o trânsito extravasando a raiva, e a presença de um transtorno impulsivo.
 
Que o carro é uma arma, isto os dados comprovam. Mais de 50 mil mortos e 500 mil feridos por ano nas avenidas do nosso país.  No entanto, o que muitos não sabem é que ela está engatilhada nas mãos de qualquer motorista, de gente simples e poderosa, de gente tranquila e nervosa, de gente sã e doente. Como evitar que eu seja a próxima vítima, ou o próprio assassino? Um desafio diário e constante quando boa parte da nossa existência transita em quatro ou duas rodas.
 
Além de controlar um veículo, o motorista precisa controlar a si mesmo. “Deixem que o Espírito de Deus dirija a vida de vocês e não obedeçam aos desejos da natureza humana”, lembra o “código de trânsito” em Gálatas. Um destes desejos é a raiva, mas, ao enumerar os frutos na vida daqueles que são “controlados” pelo Espírito Santo, o texto finaliza com o domínio próprio. Já em outra epístola, o mesmo autor avisa: “Se vocês ficarem com raiva, não deixem que isso faça com que pequem” (Efésios 4.26). Um alerta nestas loucas avenidas entulhadas de carros e de gente estressada.
 
 
 
Marcos Schmidt
pastor luterano   
fone 8162-1824
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS