terça-feira, 30 de agosto de 2011

Furacão Paz

Os prejuízos causados pelo Furacão Irene ainda estão ainda sendo contabilizados, parece que o pior já passou, contudo uma coisa é certa, o rastro de destruição só não foi maior, graças às tecnologias e previsões meteorológicas, e diretamente, toda a operação de preparo para enfrentar situações como esta. O acesso imediato a informação, as orientações corretas, a mobilização de todos, foram decisivos para que houvesse paz, mesmo em meio as destruições e mortes. Houvesse paz? Sim, para que se evitasse uma destruição em massa, preservando a vida e bens de muitos – um trabalho eficaz dos agentes de paz.
         Irene, o nome dado ao furacão, deriva do grego (ειρηνη), um substantivo tão usado no Novo Testamento, como o do último furacão nos meios de comunicação. Ironicamente, seu significado é paz, harmonia e tranqüilidade, sentido tão difícil de entender como aquelas ditas pelo Príncipe da Paz: “Não pensem que eu vim traz paz à terra; não vim trazer paz, mas a espada” (Mateus 10.34). Seria Jesus uma espécie de Furacão Irene? Daquele digno de informação e muito preparo para lhe receber evitando assim uma destruição em massa? Daquele que vem semeando a morte e todo tipo de prejuízo por onde passa? Se o Furacão Irene dividiu opiniões sobre permanecer e encarar ou acolher as orientações e se dispor – e aí já sabemos as consequencias destas decisões; Jesus também dividiu e divide opiniões, pessoas e destinos. Ou se dá atenção às “previsões” feitas antes de sua vinda a seu respeito, ou se descarta a possibilidade e resolve-se lutar com as próprias forças, contra o furacão sobre o qual Ele veio trazer a paz. Hoje sabemos o teor da informação correta, e seu resultado, o que diversas vezes o Salvador proferiu: “A tua fé te salvou; vai-te em paz”.
         Uma paz que no íntimo é almejada por todo ser humano, mas é diferente daquela que precisa ser conquistada por canhões, metralhadora e sangue, conforme ocorre na Líbia; ou baseada num fundamentalismo religioso, que incita violência; a paz, verdadeira ειρηνη é aquela que embora passe furacões, histórias fiquem para traz, nada pode a abalar, pois excede tempo e espaço. “Eu digo isso para que, por estarem unidos comigo, vocês tenham paz. No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem. Eu venci o mundo” (João 16.33). “e a paz que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus” (Filipenses 4.7).
         Para estar em paz é necessário informação, mobilização e confiança no agente certo, ingredientes para ouvir: “a tua fé te salvou!” Quando furacões atravessarem os mares da vida, que tua ειρηνη esteja baseada na autoridade no assunto.
        
*Márlon Hüther Antunes
 *Teólogo e Pastor da Igreja Luterana em Maceió

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Instabilidades e segurança

“Aplique o seu dinheiro em vários lugares e em negócios diferentes porque você não sabe que crise poderá acontecer no mundo”. Seria apenas um conselho na atual crise econômica se não estivesse no livro bíblico de Eclesiastes. O que se vê nas capas dos jornais é história repetida, com primeira edição quando o Criador anunciou ao provedor do lar o fruto da desobediência: “a terra lhe dará mato e espinhos, você terá de trabalhar no pesado e suar para fazer com que ela produza algum alimento, até que você volte à terra”. Barak Obama sente na carne a maldição de Gênesis igual a qualquer pai. Mas as instabilidades da vida, a exemplo da bolsa de valores, são a coisa mais certa. Hoje temos dinheiro, amanhã podemos estar pobres, hoje temos saúde, amanhã podemos estar doentes, hoje estamos vivos, amanhã podemos estar mortos... O que será daqui um minuto, uma hora? E se a crise bater a minha porta? Estou preparado sem cair no desespero?
 
A instabilidade, no entanto, sempre tem efeitos positivos num mundo que precisa rever os seus conceitos de valor, sobretudo em relação ao Deus, denominado insistentemente pelas Escrituras de Eterno e Verdadeiro. O rei Davi já alertava: “Ainda que as suas riquezas aumentem, não confiem nelas” (Salmo 62). Por isto a oração dele: “Não me deixes ficar nem rico nem pobre. Porque se tiver mais do que o necessário, poderei dizer que não preciso de ti. E, se eu ficar pobre, poderei roubar e assim envergonharei o teu nome (Provérbios 30). Mesmo com toda a prosperidade, ele confessou no Salmo 144 que Deus é a rocha e confia na proteção dele.
 
Diante disto, só resta o caminho indicado por Jesus: “Não fiquem preocupados com o dia de amanhã”. Não no sentido da irresponsabilidade, mas quanto à primordial ocupação, e que prepara para as desventuras terrenas. Uma fé que tem promessa: Ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e a vontade dele, e ele lhes dará todas as outras coisas (Mateus 6).   

Marcos Schmidt
pastor luterano   
fone 8162-1824