quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Conflitos de Natal

Natal, Fim de Ano, época de contradições, de estranhezas, tempo de alegrias e dissabores. De festas e votos de felicidade mesclados com sentimentos de frustração, desalento, melancolia. Período que vêm à tona lembranças talhadas na memória, carregado com emoções confusas ascendidas por melodias, imagens, símbolos, aromas. Recordações de pessoas amadas que ficaram em álbuns de fotografia e confundem o coração de saudades; de lugares transformados pela modernidade – paisagens bucólicas, tranquilas, engolidas pelo asfalto e agitação. Sem subterfúgio, o dezembro é aquela derradeira folhinha do calendário que evoca tantas coisas, anseios guardados numa caixinha que se abre despertando conflitos e desesperança.
Mas o motivo destes sentimentos vem do próprio Natal. Algo parecido com a reação de Maria, “que ficou sem saber o que pensar” (Lucas 1.29) ao receber a notícia de que seria a mãe do Salvador. Ficar confuso ante o Deus encarnado é uma atitude coerente. Porque Natal é o mistério dos mistérios. “Quem pode conhecer a mente do Senhor?” (1 Coríntios 2.16).  Cientistas ousam desvendar a “partícula de Deus” – nome dado a suposta partícula responsável pelo surgimento da matéria na origem do Universo. Isto é ciência humana, que não explica a partícula de Jesus, “verdadeiro Deus do verdadeiro homem, gerado, não criado, de uma só substância com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas” (Credo Niceno).
Como entender que “No começo aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e era Deus” (João 1.1)? Inaceitável à luz da sabedoria humana. Por isto, “Aquele que é a Palavra veio para o seu próprio país, mas o seu povo não o recebeu” (João 1.11).  Mistério rejeitado, descrido, refugado. “Porém alguns creram nele e o receberam, e a estes ele deu o direito de se tornarem filhos de Deus” (João 1.12). Mistério recebido, crido, usado. E assim na letra do poeta: “Ó tempo santo de Natal, tu tens mensagens lindas! O mundo não tem luz nem paz, mas isto meu Jesus me traz. Ó tempo santo de Natal, tu tens mensagens lindas!”.

 
Marcos Schmidt